Linux no desktop: Hora de abandonar o barco?

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Talvez seja apenas frustração fruto de uma insônia, talvez seja uma conclusão que eu venha chegando nos últimos tempos. A impressão que eu tenho é que o Linux no desktop não mais caminha para frente, pelo menos não na mesma derivada que caminhava há alguns anos.

Comecei a usar Linux em 2001 com o RedHat 6.2 que veio na revista PC Master, de lá pra cá utilizei inúmeras distribuições. As que mais gostei e utilizei por muitos anos foram Debian e Slackware, nos últimos anos, por minha falta de tempo em alisar computador, venho utilizando o Ubuntu.

Durante todos esses anos a impressão que eu tinha é que o Linux vinha evoluindo muito rápido, cada release era muito melhor que a outra, tanto em usabilidade quanto em suporte a hardware. Cada dia que passava o sistema parecia mais promissor no desktop, entretanto, nos últimos tempos isso não está se concretizando por dois motivos: Suporte a hardware moderno e os famigerados killer apps.

O problema da falta de suporte a hardware moderno cai na conta dos fabricantes, e muitas vezes, sua falta de suporte é injustificada. Tenho há quase um ano um notebook da Dell com uma placa que possui o já então discutido OPTIMUS da NVIDIA e até hoje não consigo utilizar minha porta HDMI. A comum explicação pra esse tipo de coisa é “pra que manter suporte para 0.00001% dos clientes?” já que os usuários de Linux são a esmagadora minoria. Isso até pode ser verdade para diversos fabricantes, mas no caso desse em especial não faz o menor sentido, pois a NVIDIA ganha muito dinheiro com a venda de GPUs para clusters que em sua maioria rodam…. advinhem o que?! Eu por exemplo, fiz questão de comprar uma placa NVIDIA com o propósito de utilizar o CUDA e rodar simulações na placa de vídeo.

Em 2001 eu tinha 14 anos e todo o tempo do mundo pra resolver/contornar todos os problemas que pudessem por ventura aparecer, fazia parte da diversão, hoje, eu só quero ligar o notebook na TV ou num monitor maior para assistir meus filmes ou trabalhar com maior eficiência sem perder parte do meu tempo produtivo com esse tipo de coisa. Há 11 anos o Linux/Redes/Segurança eram os objetos de estudos, hoje sou engenheiro eletricista, de tal sorte, o foco mudou totalmente.

Os killer apps, para quem não conhece, são aqueles programas que por si só justificam o uso de um sistema operacional, por exemplo: “vou usar windows, pois quero usar o corel draw, autocad, etc…”. E isso, caro leitor, falta no mundo Linux, infelizmente. Eu particularmente tento contornar esse tipo de coisa com uma máquina virtual rodando windows, onde executo esse tipo de programa. Para os jogos eu tenho um windows em dual boot para executar com melhor performance e fazer uso efetivo da minha placa de vídeo. Mas que saco! Tá vendo quantas voltas são necessárias???? Precisa-se o tempo todo procurar por soluções paliativas.

Apesar de todas as dificuldades a maior de todas é que devido há esses 11 anos utilizando Linux eu verdadeiramente gosto e me sinto muito confortável com sua userland e toolchain. Realmente gosto de sistemas unix-like. E aí que acontece o grande drama. Não existe nenhum sistema operacional que consiga abarcar todas as minhas necessidades e gostos.

  • Windows – Pros: Possui suporte aos melhores aplicativos e suporta perfeitamente meu hardware. Cons: Não é unix-like. É um saco. Não é aberto.
  • Mac – Pros: Unix-like. Tem uma gama de aplicativos comerciais melhor que a do Linux. Cons: Fechado. Hardware absurdamente caro.
  • Linux – Pros: Melhor userland. Unix-like. Aberto. Cons: Suporte a hardware moderno. Nenhum killer app.

Talvez o mais duro de se ver é que, de fato, hoje eu considero o Linux um desktop maduro e pronto (na verdade eu acho o melhor!!!!!), só faltam mesmo os apps e o suporte a hardware. Mas esse “só” na verdade significa muito, implica numa experiência fraca para o usuário no uso do desktop e na indústria não faltam exemplos de soluções que eram tecnicamente melhores e morreram em detrimento das que tinham um melhor relações públicas.

O Linux não vai morrer, pelo contrário, continua a todo vapor nos smartphones (ANDROID), nos servidores e nos sistemas embarcados. Vida longa ao Linux! Mas no desktop, talvez seja a hora de começar a planejar a retirada estratégica após esse longos 11 anos. Quem sabe se a derivada melhorar seja possível voltar a usá-lo no futuro?

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